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O ator Marcelo Gomes fala de seu fascinante trabalho
 
E dos atributos necessários para uma carreira de sucesso

Por Marisa De Lucia

O amor à arte e toda a dedicação e envolvimento com os personagens que 
interpreta fazem do ator Marcelo Gomes uma personalidade ímpar, que 
hoje faz parte de três Companhias de Teatro, com as quais mantém turnê 
permanente pelo Brasil com diversos espetáculos, sendo o principal o "Além 
da Vida", que tem agenda para os próximos três meses.

O ator e empresário faz teatro, cinema, performances e, também, 
comissão de frente para o carnaval paulistano, além de trabalhos de produção 
cultural. Um dos seus últimos papéis, interpretando Jesus Cristo, emocionou 
plateias lotadas e, com certeza, marcou essa sua brilhante carreira.



Dotado de um coração que cativa a muitos por onde passa, Marcelo Gomes 
fala que ser ator é sobrepor essa vontade de estar na mídia, de ser rico, de 
ser reconhecido na rua. Confira a entrevista exclusiva que ele deu para nosso 
site, onde ele fala do seu trabalho, como começou e de sua trajetória:

Marisa De Lucia - Como começou esta brilhante carreira?

Marcelo Gomes - Comecei minha carreira profissional em 2007, depois de 
uma temporada vivendo em Nova York onde estudei e trabalhei. Logo que cheguei 
ao Brasil, fui descoberto por uma agência de modelos de Botucatu, no 
interior paulista, e encaminhado a castings em São Paulo e, mais tarde, em 
função da grande agenda de testes, resolvi me estabelecer definitivamente na 
Capital. Em pouco tempo, iniciei trabalhos como modelo, constantemente, bem 
como cursos de escrita e dramaturgia. Sempre fui muito comunicativo. Já tinha 
feito teatro amador na minha e região (Avaré), além de cursos 
profissionalizantes de teatro em Sorocaba, na adolescência, e sempre almejei a 
carreira. 

Meu início no teatro foi logo após um teste para VDJ da MTV, em que não fui 
aprovado, mas, em contrapartida, os produtores me disseram que eu tinha muita 
desenvoltura e que deveria investir na carreira de ator. Isto me estimulou e, 
certo dia, ao ficar sabendo por colegas modelos sobre um teste pra 
atores, resolvi me candidatar à vaga. Tal teste foi na escola de formação 
de atores Nilton Travesso, onde éramos quase 200 atores para quatro papéis e 
eu fui aprovado mesmo sem ainda ter DRT, vivendo um grande aprendizado nos 
ensaios e, principalmente, no palco. 



Após, ficarmos em cartaz na Praça Roosevelt, no Teatro do Ator, vivendo 
assim a minha primeira de muitas experiências profissionais. Hoje, sou 
apaixonado pelos palcos e, tão logo saio de uma produção, vou para a outra. 
Considero que quanto mais subo ao palco mais eu aprendo e mais eu me apaixono.
 
Acabei tirando meu DRT por horas de palco, e somente em 2010 fui estudar 
Artes Cênicas, além de muitos cursos, oficinas, vivências. Considero 
minha maior experiência ter sido minha ida para Dinamarca, onde estudei no 
Odin Teatret, com Eugênio Barba, Roberta Carreri e todos os atores da 
companhia, onde realmente pude ver o sentido de tudo. 

Gosto de relembrar o quanto foi difícil conseguir a aprovação, pois somente 30 
atores do mundo são aceitos anualmente. Aprender com quem faz teatro 
antropológico há mais de meio século, conversar e assistir os espetáculos no 
local onde eles fundaram a CIA foi experiência incrível: uma maravilhosa 
imersão na história do teatro mundial. Voltando ao Brasil, fiz um teste para o 
grupo de estudos de textos dirigido pela atriz Regina Duarte, onde 
produzi e atuei em um espetáculo e alguns pilotos para TV Globo.



MDL - O que te motivou?

Marcelo Gomes - Minha motivação veio através da vontade de atuar, de 
desfilar e de estar no palco. Não consigo me ver sem fazer tudo isso. É um 
caminho árduo, difícil, principalmente porque não tenho artistas na família - 
além do Gil Gomes, repórter - o qual nunca tive muito contato, mas nas 
artes cênicas ninguém. Motiva-me, também, saber que posso fazer cada vez 
melhor e conquistar mais espaço, dando mais cor ao meu texto escrito e falado 
no palco.
 
Tenho uma convicção: cada apresentação é única e por mais que seja o mesmo 
texto, cada dia há uma energia diferente. Esse desafio de fazer igual ao dia 
anterior mesmo com todas as mudanças me inspira. Uma outra motivação é também 
lembrar de minha trajetória e das dificuldades. Nada foi fácil. Nada veio de 
mão beijada. Cada conquista, cada trabalho e cada subida ao palco são 
sempre vitórias. Já passou por minha vida muita gente ruim, pessoas mal 
intencionadas, cheias de promessas, e o resultado foram algumas frustrações e, 
em alguns momentos, desilusão com a profissão. Mas eu nunca desisti e fui 
sempre em frente. Acredito ser a vontade de sempre insistir o principal 
ingrediente para o sucesso. E o sucesso, para mim, é poder fazer o que se ama 
e ser feliz.



MDL - Quais as dificuldades enfrentadas?

Marcelo Gomes - Como eu disse há pouco, e sempre julgo importante 
ressaltar, as dificuldades são inúmeras. Talvez pela cultura de desvalorização 
da profissão artística em nosso país, todos nós que ingressamos nas artes 
sabemos das inúmeras dificuldades. A maior parte dos recursos, mesmo escassos, 
vão para grandes produções ou mesmo para musicais, verdadeiras produções 
hollywoodianas. Apesar de esses grandes espetáculos gerarem emprego e 
renda para uma considerável parcela de profissionais, eles têm inviabilizado 
os rendimentos dos inclinados a estarem longe desses circuitos e fazerem seu 
teatro de forma mais autoral ou de pesquisa. Em São Paulo, por exemplo, 
dezenas de grandes espetáculos acontecem diariamente e você precisa ter uma 
estrutura mínima para conseguir entrar nesse circuito. É muito difícil. 

E, talvez, a maior dificuldade no início é a escassez de recursos para 
conseguir conciliar os estudos e as despesas normais da vida. Além disso, a 
falta de direcionamento profissional, a dificuldade de se encontrar bons e 
honestos produtores, que nos paguem adequadamente pelos serviços e pelos 
testes (como orienta o sindicato). No entanto, não desisti e não desisto: a 
persistência está impregnada em meu sangue. Por diversas vezes ouvi 
expressões como "desista, é muito difícil.", "você não é bom" etc. A palavra 
"não" acompanha o ator por toda sua vida e precisamos saber ouvir o "não" e 
mantermos a cabeça erguida e seguir em frente, pois sempre haverá um "sim".
 


MDL - Quais papéis você já interpretou?

Marcelo Gomes - Para se viver de arte, é preciso versatilidade. Além de 
teatro, cinema e performances, faço também comissão de frente para o carnaval 
paulistano e trabalhos de produção cultural. Como ator, interpretei dezenas 
de personagens. Cito alguns: Guerrilheiro reivindicando seu lugar ao sol 
no espetáculo “A Volta para Casa” texto de Matei Visniec e direção de Regina 
Duarte; Jesus Cristo, no Carnaval na minha escola de coração Águia de Ouro, ao 
lado de Nicette Bruno como Maria; Rei Hamlet, no espetáculo “Hamlet”, dirigido 
por Miguel Hernandez; Elvis Presley para a escola de samba Rosas de 
Ouro na comissão de frente; António Manoel da Costa e Guimarães, um suicida no 
espetáculo “Além da Vida” de Chico Xavier, projeto que faço parte a mais de 6 
anos e  ainda em cartaz pelos teatros do Brasil; Jorginho no espetáculo “Maria 
Borralheira “ de Vladmir Capela, fizemos na FUNARTE no primeiro semestre desse 
ano, toda interpretação inspirada nas técnicas do Théâtre du Soleil, dirigido 
por Erika Bodstein; Marido Corno no seriado “Chamado Geral“ do MultiShow que 
está no ar com Rafinha Bastos; August, um francês no meu primeiro longa “O 
Crime da Cabra” com Laura Cardoso, Lima Duarte, Arlete Sales, logo nos 
cinemas; O primeiro foi o Seu Antônio, um porteiro fofoqueiro no espetáculo 
“Eu sou, ele é, mas quem não é” dirigido pro André Rangel. 

Foram inúmeros, por vezes me esqueço de alguns. Já estive no papel de mímico e 
até de mulheres. Como digo, "ser nenhum para ser qualquer um". E que venham 
mais!



MDL - Tem algum que você mais gostou de fazer?

Marcelo Gomes - Olha, difícil escolher. Cada um tem sua própria 
história e seu processo, além do momento que eu vivia no momento da composição 
da personagem, bem como muito estudo, pesquisa e observação do ser humano. 

Creio que meu estado de espírito à época ajudou cada um desses personagens a 
nascer e todos eles estão dentro de mim, prontos para reviver quando for 
preciso, bem como há muito espaço para novos nascerem. Mas, se eu tiver que 
escolher um em específico, digo “Jesus Cristo”. Pode parecer um clichê para 
muitos, mas a emoção vivida foi grande, pois apresentei o personagem para mais 
de 30 mil pessoas. Não tenho como descrever em palavras. 
Foi inexplicável. 

MDL - O que há de melhor nos trabalhos?

Marcelo Gomes - Eu gosto da possibilidade de contínua criação, de poder 
viver outras vidas, ser outras pessoas. Ao mesmo tempo, muito me agrada poder 
viajar para apresentações e turnês, em teatros do Brasil e do Mundo, levando 
meu trabalho por todos os cantos do país e fora dele. Conheci diversas cidades 
e teatros magníficos, bem como salas simples e espaços improvisados. Atuar, 
pra mim, é viver a vida da personagem, ser ela durante seu tempo de vida. E 
poder fazer isso a vida toda, pois não há idade limite para ser ator.

MDL - Você também acha que no Brasil o ator é reconhecido?

Marcelo Gomes - Eu viajo o mundo, me sinto um privilegiado por isso. E 
sempre que estou em outra cidade, Estado ou país, gosto de saber como é ser 
ator nesses lugares, como é a profissão, o reconhecimento, a carreira. Em 
alguns aspectos, os problemas são comuns para todos nós, mas há algo que 
difere muito os outros países do Brasil: o fomento. Em diversos lugares, os 
produtos culturais são valorizados e vemos grandes injeções financeiras. Tenho 
a impressão que, no Brasil, se não estamos em grandes emissoras, fazendo 
novela em horário nobre, não somos considerados como "bem-sucedidos". 

A valorização do ator em nosso país está muito relacionada com a exposição da 
imagem. No meu caso, creio ter conseguido certo reconhecimento a custas 
de muito trabalho, construído com todo o cuidado, motivado por aplausos e 
palavras de pessoas que me assistiram. É bom receber um recado do tipo "te vi 
na TV" ou "vi seu espetáculo" Para mim, tocar o público com a minha arte é 
sinônimo de reconhecimento.



MDL - Tem algo que gostaria que mudasse?

Marcelo Gomes - Primeiro, quero dizer que nós atores devemos mudar 
nosso modo de agir, não somos coitadinhos. Precisamos entender o quanto as 
oportunidades podem partir de nós mesmos. Ouvi diversas vezes "fulano não teve 
sorte" ou "sicrano está passando dificuldades, pois está sem trabalho.". A 
profissão de ator apresenta um grande leque de possibilidades, e o primeiro 
passo é mudarmos nossa forma de vermos tudo o que há a nossa volta, as 
possibilidade e, com isso, evoluirmos, mostrando aos governos, aos 
empresários, o quanto eles podem ser grandes financiadores de possibilidades 
de produtos nas áreas de arte, cultura, teatro, dança etc. Assim, ficaria mais 
fácil a viabilização do nosso trabalho. 

MDL - Pode nos revelar algum projeto?

Marcelo Gomes - Sou também produtor e empresário. Além de outros 
projetos, cuido de minha própria carreira e gosto de novos desafios, 
oportunidades e parcerias. 

Atualmente, faço parte de três Companhias de Teatro, com as quais 
mantenho turnê permanente pelo Brasil com diversos espetáculos, sendo o 
principal o "Além da Vida", que tem agenda para os próximos três meses. 
Além disso, produzo a exposição dos 50 anos da carreira da consagrada atriz 
Regina Duarte e estou em plena captação de recursos para o retorno da peça "A 
Volta para Casa", dirigida pela já citada Regina. Também, participo do meu 
primeiro longa metragem "O Crime da Cabra". Ainda, fui escalado para outro 
filme, ainda sem nome definido, contando a história do Maestro Carlos Gomes e 
estou escrevendo e produzindo um espetáculo, em conjunto com alguns amigos 
atores e dramaturgos, com previsão de entrar em cartaz até o final do ano. 

Além disso, sigo meu projeto pessoal de pesquisa em que, há pelo menos dois 
anos, trabalho e não tenho pressa para colocar no mercado. Por fim, outros 
dois projetos estão em produção: Jadwiga, um longa metragem sobre a história 
de uma refugiada na segunda guerra mundial vinda do campo de Ravensbrück para 
Curitiba, no Brasil, e que está em fase de pesquisa e produção, e onde irei 
atuar, e o trabalho como ator e co-criador da Comissão de Frente da Aguia 
de Ouro no Carnaval 2017 juntamente com minha parceira Chris Rabello. Não 
citei, mas há também outros trabalhos paralelos com agências e produtoras. 
Como eu disse, não podemos parar, pois acredito ser obrigação do artista estar 
em pleno movimento. Projetos e parcerias surgem todo dia.

MDL - Que conselho você dá para quem está começando?

Marcelo Gomes - A nossa fantástica Fernanda Montenegro, certa vez, numa 
entrevista, respondeu a essa mesma pergunta. E eu compartilho o sentimento 
dela: Para a pessoa desistir, para que esses novos atores ou aspirantes 
procurem outra profissão. Sabemos das dificuldades de ser ator e da confusão 
que muitos fazem ligando a carreira à fama, dinheiro, exposição. Precisamos 
esclarecer: Ser ator é sobrepor essa vontade de estar na mídia, de ser rico, 
de ser reconhecido na rua. Quando tudo isso vira uma consequência da 
profissão, tudo bem. Mas precisamos saber o quanto a arte é uma profissão como 
qualquer outra. O meu desejo é trabalhar e viver bem e colher os frutos do meu 
trabalho. Para tal, acredito, é preciso foco, persistência, disciplina e, 
acima de tudo, amor à arte. Estes são os ingredientes primordiais para a 
construção de uma carreira de sucesso. Sempre digo: o ator que espera em casa, 
não chega a lugar algum.



Agenda:

Espetáculo Além da Vida 

Teatro Augusta em São Paulo 

Durante todo o mês de Outubro: às Sextas às 21h30, Sábados às 20h e Domingos 
às 18h

Teatro Colina em São José dos Campos

Dia 16 de Outubro

Turnê Sul de 03 a 13 de Novembro 

Lançamento do Carnaval da Águia de Ouro 

Quadra da Águia de Ouro em São Paulo 

Dia 15/10 as 21h

Um show imperdível!

Espetáculo A Vida Continua 

Teatro ISBA em Salvador

De 07 a 09 de Novembro

Teatro Municipal de Varginha 

Dia 24 de Setembro

Instagram: @marcelogowes

Facebook: Marcelo Gomes
 
 
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